Mato Grosso do Sul

O Mato Grosso do Sul, situado na região Centro-Oeste, apresenta-se como estado com forte vocação agrícola e se destaca como um dos principais destinos de Ecoturismo do Brasil, em especial pela região de Bonito, a principal referência do país em Ecoturismo e pelo Pantanal, uma das maiores planícies alagáveis do planeta, que abriga uma rica fauna e flora que atraem observadores de vida silvestre de todo o mundo.

Em ambos os destinos, um conjunto de iniciativas de empresários, que buscam oferecer experiências de qualidade, somadas a organizações da sociedade civil e poder público, formam uma parceria que traz competitividade, visões estratégicas tendo o Ecoturismo como foco no desenvolvimento de políticas públicas para o setor.

Na região de Bonito os destaques são as atividades de flutuação nos rios de águas límpidas, as visitas às cavernas alagadas, com destaque para o Abismo Anhumas e a Gruta do Lago Azul, e as inúmeras cachoeiras e rios para banhos. O destino tem uma organização singular de atrativos, agências de receptivo, guias, pousadas e restaurantes que funcionam de maneira coordenada, utilizando o sistema de voucher único que assegura controle de visitação, arrecadação de impostos para o município e preservação da natureza.

No Pantanal o destaque são as Pousadas Pantaneiras, que são hospedagens no meio ambiente natural, em muitos casos, sedes de fazendas que oferecem atividades de observação de vida silvestre, alimentação e uma programação completa de vivência do modo de vida no Pantanal. 

De acordo com o Mapa do Turismo do Ministério do Turismo, o estado conta com oito regiões turísticas que somam 42 municípios. As regiões turísticas de maior destaque são: Bonito/Serra da Bodoquena, que inclui Bonito; Jardim e a região turística do Pantanal, que inclui Corumbá, Aquidauana e Miranda. Importante mencionar duas regiões em pleno desenvolvimento: Rota dos Ipês, que inclui a capital do estado Campo Grande e a Rota Cerrado Pantanal, que inclui os municípios de Costa Rica, entre outros.

O estado do Mato Grosso do Sul tem 60 unidades de conservação, sendo 2,45% das unidades do país que protegem os biomas Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, de acordo com o Painel de Unidades de Conservação Brasileiras do Ministério do Meio Ambiente. Entre as unidades de conservação temos: 12 Parques; um Parque Nacional: o Parque Nacional da Serra da Bodoquena e cinco Parques Estaduais. O destaque no estado entre as unidades de conservação fica para as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), onde projetos de Turismo e conservação de grande importância são realizados, como por exemplo a RPPN Buraco das Araras e a RPPN Fazenda Caiman.

Boas Práticas

Recanto Ecológico Rio da Prata - Empreendedorismo familiar de sucesso aliando conservação da natureza, atenção aos detalhes e cuidado com clientes e funcionários

O Recanto Ecológico Rio da Prata e a Lagoa Misteriosa são atrativos de Ecoturismo que estão situados na Fazenda Cabeceira do Prata, no município de Jardim, sudoeste do estado de Mato Grosso do Sul, a 270 km de Campo Grande, a capital do estado, e a 50 km de Bonito, integrando sua oferta turística.

O Turismo teve início na propriedade em junho de 1995, após Eduardo Coelho, dono da Fazenda, participar de uma Oficina de Capacitação para o Ecoturismo (uma parceria entre Senac/Conservação Internacional) e obter informações sobre a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e sua utilização para o Ecoturismo. No mesmo ano, após estudos e planejamento, iniciou-se a visitação turística na fazenda sob o nome fantasia de “Recanto Ecológico Rio da Prata”. 

A visitação foi iniciada já com a empresa constituída e com seguro de acidentes para os turistas, por ofertarem atividades de natureza. Para iniciar a operação foi necessário fazer um processo de licenciamento de operação turística junto ao IMASUL (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, órgão do Governo do estado do MS), que deve ser renovado de 4 em 4 anos. A atividade principal e primeira a ser desenvolvida no Recanto Ecológico Rio da Prata foi o passeio de “Trilha e flutuação”.

Desde o seu início até hoje, a concepção do passeio é basicamente a mesma, começando com uma trilha pela mata até chegar à nascente do Rio Olho D’Água, onde os visitantes fazem a adaptação com o equipamento de flutuação, máscaras, snorkel, botas e roupas de neoprene, e reconhecimento do mundo subaquático. 

Depois, o grupo faz um mergulho de superfície, desce rio abaixo por um trecho de cerca de dois mil metros de águas cristalinas. O último trecho do passeio, que acontece no Rio da Prata, por cerca de 600 metros, pode ser feito por barco movido a motor elétrico. A propriedade ainda oferece mergulho com cilindro, passeio à cavalo e um roteiro para observação de aves, com guias especializados e monitores. Todos os grupos são conduzidos por guias pertencentes às comunidades locais, treinados para passar segurança e informações ambientais durante a atividade. Em obediência a Licença de Operação, existe um limite diário de visitantes na flutuação de 150 pessoas. A infraestrutura principal é formada pela sede da fazenda onde se localizam recepção, restaurante, bar, escritório administrativo, loja de artesanato regional, setor de equipamentos e área de descanso para os visitantes.

Em 1998 foi adquirida a Estância Mimosa, fazenda localizada em Bonito, com o objetivo de criar um passeio de caminhada e banho nas cachoeiras do Rio Mimoso. Em 2005 foi adquirida a Lagoa Misteriosa, atrativo turístico localizado na fazenda vizinha, a 2 km da sede do Rio da Prata. Em julho de 2011, a Lagoa Misteriosa recebeu a Licença de Operação e foi aberta para visitação turística, oferecendo as modalidades de flutuação e mergulho com cilindro. O gerenciamento das empresas é feito por Eduardo, sua esposa Simone e a filha Luiza, com recursos próprios, sendo que o grande mérito da fazenda é sustentar-se economicamente de forma ambientalmente correta, confirmando a viabilidade de se conciliar numa mesma propriedade a pecuária, o ecoturismo e a conservação ambiental.

O Recanto Ecológico Rio da Prata e a Lagoa Misteriosa são resultado de um projeto familiar que colocou em prática a capacidade de empreender e inovar, com o propósito de criar um modelo de Ecoturismo organizado com visitação limitada, focado em qualidade e segurança, e viável economicamente. O objetivo principal é proteger e aprimorar a qualidade ambiental da fazenda, dentro dos princípios da sustentabilidade, respeitando o meio ambiente, de modo que estes atrativos naturais estejam disponíveis indefinidamente, possibilitando o desenvolvimento regional e promovendo a educação ambiental. Desta forma, os atrativos são prioridades para a empresa, tendo em vista que o Ecoturismo é a principal atividade econômica desenvolvida, gerando renda e criação de empregos diretos e indiretos enquanto promove a melhoria ambiental de uma área de relevante biodiversidade e atrai turistas nacionais e internacionais.

Podem ser destacadas as seguintes boas práticas destas propriedades:

Conservação da Natureza como Prioridade - Criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Cabeceira do Prata em 1999, primeira da região com 307,53 hectares englobando toda a mata ciliar do Rio Olho D’Água, desde a sua nascente até desembocar no Rio da Prata.  Criação de um viveiro de mudas nativas com capacidade para 50 mil mudas de 47 espécies. Ao longo dos anos, já foram doadas mais de 50.000 mudas ao IASB e a outras instituições, demonstrando sua importância ambiental para a realização de vários projetos, como o plantio de mais de 200 mudas no entorno da Lagoa Misteriosa e a implementação do Bosque da Esperança no Rio da Prata que já conta com mais de 400 árvores plantadas. Criação de um sementário local onde as sementes coletadas na própria área da fazenda são armazenadas, selecionadas e classificadas para serem semeadas e cultivadas no viveiro de mudas pelos colaboradores do Recanto Ecológico Rio da Prata, com a orientação e supervisão do engenheiro ambiental responsável pelo setor da RPPN.

Segurança em primeiro lugar - O Recanto Ecológico Rio da Prata se tornou o primeiro atrativo turístico do Brasil a receber a Certificação ABNT NBR ISO 21101 na modalidade caminhada e flutuação, sendo que desde 2010 a atividade é certificada em Gestão de Segurança pela ABNT;

Qualidade de Experiência do Visitante - Consultoria e capacitação em gastronomia desde 2013, com o premiado Chef Paulo Machado, mais um chef convidado a cada ano, visando uma melhoria contínua da qualidade da gastronomia, buscando resgatar a comida regional, dando prioridade ao cultivo próprio de uma boa parte de alimentos orgânicos;

Alinhando Turismo, Conservação e Pesquisa Científica - Através de parcerias com pesquisadores e universidades, diversos artigos científicos, teses de mestrado e trabalhos de conclusão de curso tiveram como base dados de campo colhidos na fazenda.

Adesão do desenvolvimento da região - Apesar da propriedade estar localizada no município de Jardim, os atrativos passaram a fazer parte da oferta turística de Bonito, por ser o principal pólo de Turismo da região. Desde o início das atividades, aderiram ao sistema e comercialização dos atrativos da cidade de Bonito oficializado pelo COMTUR (Conselho Municipal de Turismo de Bonito) em 1995, com a criação de um voucher único emitido em quatro vias, uma para cada um dos componentes do trade envolvidos no processo: guia de turismo, atrativo turístico, agência e prefeitura.

Acesso ao mercado por meio de tecnologia - O sistema de reservas do passeio é online, pelo site BTMS. Por meio desta ferramenta as agências de turismo local têm acesso a horários livres dos passeios para fazerem as reservas, a qualquer hora, dando maior agilidade à comercialização das atividades.

Gestão de custos com foco na geração de receitas adicionais - Manter a qualidade diária da operação é um desafio que demanda uma boa gestão. Por isso, a busca pela redução dos custos da operação, principalmente por meio do combate aos desperdícios e o aumento das receitas sem perder o foco, são fundamentais. Iniciativas como a oferta de locação de câmera subaquática digital para os visitantes e locação de máscaras de mergulho full face. O doce de leite vendido na loja física e online é preparado em um local específico, construído para melhor atender os visitantes. Economia de custos e produtividade, são exemplos.

Crença e prática do associativismo - Valorização e participação em ações conjuntas para fortalecimento da região, expressos na condição de sócio fundador da ATRATUR, do IASB e da REPAMS (Associação dos Proprietários de RPPNs de MS), além do exercício de mandatos nessas associações, visando consolidá-las. Os proprietários dos atrativos também são associados à ABETA (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura).

Melhoria do capital humano – a maioria dos funcionários é da região de Jardim e cidades vizinhas, o que corrobora com o compromisso da empresa no desenvolvimento da região. A demanda do Turismo em Bonito e região possibilitou um crescimento no nível educacional e técnico da comunidade, mostrando que a qualificação faz a diferença no mercado atual. Os cursos de capacitação e reciclagem ministrados pela empresa para guias de turismo, agentes de turismo locais e motoristas de vans e ônibus consistem em treinamento com apostilas próprias para padronização das informações do produto turístico e de segurança para os visitantes. Importante ressaltar que os guias só são credenciados se participarem dos treinamentos e reciclagens anuais. É fornecido apoio a funcionários e/ou prestadores de serviços para frequentar cursos e eventos, visando sua qualificação profissional. Os empreendimentos patrocinam treinamentos para os funcionários em busca de aperfeiçoamento profissional.

Parcerias em ações de conservação do meio ambiente - O Recanto Ecológico Rio da Prata e Lagoa Misteriosa mantém a parceria com o Instituto Arara Azul, desde fevereiro de 2012, quando foram instalados os primeiros ninhos artificiais nas dependências das fazendas. Sempre que podem ou são solicitados, os colaboradores do instituto realizam visitas de monitoramento dos ninhos e também dos filhotes que possam ser encontrados. Parceria com o Projeto Peixes de Bonito, coordenado pelo biólogo, professor e pesquisador José Sabino, que envolve atividades de ecologia e comportamento de peixes e tem como objetivos a conservação da biodiversidade e uso sustentável dos rios do Planalto da Bodoquena. Contribuição com o projeto do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) para diagnóstico da bacia hidrográfica do Rio da Prata e estabelecimento de ações para sua conservação ambiental. Apoio ao IASB, Instituto das Águas da Serra da Bodoquena, em projetos como o “Plante Bonito” e com o “troco solidário” e “cortesia legal”. Parceria com o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) desde 1996, que possibilitou ao longo dos anos a soltura de mais de 150 animais silvestres e 430 aves na fazenda. Inauguração do Bosque da Esperança em 2016, em parceria com o IASB, onde os visitantes podem plantar mudas de árvores nativas com o propósito de colaborar para a manutenção do meio ambiente. Até o momento, 275 mudas foram plantadas.

Manejo Sustentável - Implantação do Programa de Boas Práticas Agropecuárias e Sistema Silvipastoril, que visa a combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área ao mesmo tempo e manejados de forma integrada, com o objetivo de incrementar a produtividade.

Investimento em Eficiência energética - Utilização de lâmpadas LED e utilização de placas solares para aquecimento da água, implantação de usina solar fotovoltaica buscando reduzir a emissão de gases do efeito estufa, além de diminuir o consumo de energia elétrica. 

Implementação do conceito de 4 R's:  Reciclagem, Redução, Reaproveitamento e Reintegração - Abolição do uso de copos e canudos descartáveis há mais de cinco anos, gestão cuidadosa dos resíduos, implantação de fábrica de biofertilizante sendo utilizado no pasto, pomar e horta.

Desenvolvimento do capital social da comunidade:

  • Criação do Roteiro Estudo do Meio, visitas de escolas com intuito educacional onde os alunos conhecem os projetos ambientais dos atrativos e participam de palestras realizadas pelo funcionário responsável pela área ambiental.
  • Instituição do projeto Educando e Plantando, que proporcionou a mais de 300 alunos e professores da rede pública de Jardim a oportunidade de vivenciarem a experiência do passeio e conhecerem as ações ambientais realizadas na fazenda.
  • Intercâmbio cultural através da contratação de trainees internacionais pelo programa de lideranças jovens AIESEC (Associação Internacional de Estudantes de Ciências Econômicas e Comerciais).
  • Oferta de oportunidades de estágios para alunos de universidades públicas e privadas dos cursos de Turismo e Ciências Biológicas proporcionando um aprendizado prático em sua área de atuação durante as férias escolares de julho e dezembro.

Ficou curioso para conhecer outros resultados de boas práticas como esta? Cadastre-se e participe das Trilhas de Conhecimento deste portal.

FAÇA PARTE

Participe agora mesmo do Portal Sebrae de Ecoturismo e tenha acesso a maior plataforma online com conhecimentos, boas práticas e oportunidades no Turismo Sustentável. É totalmente gratuito e fácil para empreendedores, gestores e profissionais que atuam nos destinos brasileiros.

Quero participar